segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O papel da mulher nas eleições

Quando aquele carro parou em minha porta e fui oficialmente convocada para me candidatar como vereadora em minha cidade, percebi claramente o papel da mulher  nas eleições.  Sem ela, os homens não se candidatam.  Elas são primordiais, elas precisam estar presentes...
Eles não procuravam uma mulher qualquer -  buscavam uma que tivesse o cartão de um partido político - uma que se aventurou um dia  a adentrar o mundo da política, mesmo sem qualquer  intenção de eleição.
Então, me tornei nos últimos dez minutos que faltavam para se encerrar o prazo, a candidata pelo Partido Verde.  A princípio, fiquei atônita: não havia me preparado para isso...
No dia seguinte, o telefone não parava de tocar.  Eles, do diretório do partido, precisavam de minha assinatura em um documento e isso precisava ocorrer na manhã.  Às 10:00, eu assinava o documento.  Dois dias se passaram...
Recebi, então, uma assustadora notícia -  impugnação devido a erro no partido.  A mesma pessoa que me pediu a assinatura de manhã, se atrasou na entrega do mesmo no TRE  e perdi a chance.  Mas ainda faltavam mulheres  e eles resolveram me incluir nas vagas remanescentes, o que aceitei mas com revolta.
Alguns dias se passaram  e então outro problema -  meu nome constava de uma ata de convenção  à qual eu não tido ido.  Não sei como isso foi ocorrer, mas este evento me deu uma terrível dor de cabeça.  Junto a isso, outro nome de mulher  tinha o mesmo número do meu  e  foi preciso que o TRE resolvesse os dois problemas.  Comprovei que não tido ido à convenção  e eles disseram que colocaram meu nome porque eles sabiam que eu pertencia ao partido.  Quanto ao nome, a pessoa mais velha tinha preferência e eu era a mais velha.
Quando tudo parecia terminado,  surge outra pendência.  O partido havia negligenciado meu nome - esqueceram de registrar o mesmo via on-line um ano antes.  Advogados me protegeram  e só depois de quarenta dias  pude de fato começar minha campanha.
Com tanto tempo de atraso, nada poderia sair errado - mas saiu : os santinhos não chegaram, os banners não tinham sido encomendados e tudo parecia contra mim.  Cheguei a ´pensar em entrar na justiça por danos morais.  Eu estava feliz  e eles me tornaram infeliz.  Eu queria apenas ser cidadã   e agora vivia um pesadelo...
A partir do deferimento, comecei a correr contra o tempo para ver o que ainda dava para fazer para não cair naquilo que o próprio presidente do partido me pediu: basta que você vote em você mesma....

domingo, 29 de julho de 2012

Então, em nosso primeiro encontro, saiba quem sou eu

Nasci em uma família pobre, no bairro do Padre Faria, em Ouro Preto, filha mais velha de quatro filhos.  Meus pais são Leda Maria da Silva e Souza e Antônio Balbino de Souza, ela dona de casa e ele metalúrgico aposentado.
Estou nas vésperas de completar 50 anos.
Fiz o curso superior de letras.  Em março de 2012, terminei o meu mestrado em memória cultural pela UFOP.  No dia 25 de agosto, graduo-me em jornalismo.
Sou casada e tenho 03 filhos, dois deles em curso universitário.
Trabalho em um jornal da cidade de Ouro Preto como revisora e redatora  e sou revisora na editora Graphar, também de Ouro Preto.
Dou aulas particulares de português e de inglês, consultorias para entrevistas em emprego e mestrado.
Começarei no próximo ano meu doutorado.
Sou uma pessoa simples.  Não gosto de me mostrar.  Mas não sou tímida.  Sou ativista por natureza.
Não tenho medo de nada.  Luto por meus objetivos.

Elisabeth Maria de Souza Camilo

como tudo começou

Por duas vezes  já pensei em me candidatar como vereadora na linda cidade de Ouro Preto-MG.   Alguns eventos me fizeram desistir da intenção.  A primeira, em 2004,  foi, de fato, o medo de encarar  eleitores  que viam a política como uma troca de favores.  Eu era contra isso e desisti no dia da convenção.  A segunda, em 2008, dialogando com uma pessoa amiga, ouvi dela que teria seu voto se comprasse para ela uma geladeira.  Aquilo foi a gota d´água: não compareci à convenção.
Desta vez, fui convidada, melhor, fui convocada para exercer a cidadania.  O fato de haver a lei de que os partidos precisam  ter pelo menos 30% de mulheres em sua planilha,  fez com que os presidentes dos partidos buscassem as poucas mulheres filiadas e eu era uma delas.  Então, estou candidata à vereadura na magnífica cidade de Ouro Preto-MG, considerada patrimônio da humanidade.
Já comecei a minha campanha.  A primeira fase é dialogar com as pessoas, expondo para elas o que eu pretendo fazer se for eleita.   A segunda fase começarei na próxima semana: marcar reuniões com grupos de interesse.
Meu mote é simples: pela presença mais forte das mulheres na política e por uma atenção maior às comunidades de Ouro Preto, que são atendidas de forma diferencial  se comparadas ao centro histórico.
Dia após dia,  colocarei neste blog meus projetos, minha campanha, minhas esperanças e problemas encontrados.
Elisabeth Maria de Souza Camilo