Quando aquele carro parou em minha porta e fui oficialmente convocada para me candidatar como vereadora em minha cidade, percebi claramente o papel da mulher nas eleições. Sem ela, os homens não se candidatam. Elas são primordiais, elas precisam estar presentes...
Eles não procuravam uma mulher qualquer - buscavam uma que tivesse o cartão de um partido político - uma que se aventurou um dia a adentrar o mundo da política, mesmo sem qualquer intenção de eleição.
Então, me tornei nos últimos dez minutos que faltavam para se encerrar o prazo, a candidata pelo Partido Verde. A princípio, fiquei atônita: não havia me preparado para isso...
No dia seguinte, o telefone não parava de tocar. Eles, do diretório do partido, precisavam de minha assinatura em um documento e isso precisava ocorrer na manhã. Às 10:00, eu assinava o documento. Dois dias se passaram...
Recebi, então, uma assustadora notícia - impugnação devido a erro no partido. A mesma pessoa que me pediu a assinatura de manhã, se atrasou na entrega do mesmo no TRE e perdi a chance. Mas ainda faltavam mulheres e eles resolveram me incluir nas vagas remanescentes, o que aceitei mas com revolta.
Alguns dias se passaram e então outro problema - meu nome constava de uma ata de convenção à qual eu não tido ido. Não sei como isso foi ocorrer, mas este evento me deu uma terrível dor de cabeça. Junto a isso, outro nome de mulher tinha o mesmo número do meu e foi preciso que o TRE resolvesse os dois problemas. Comprovei que não tido ido à convenção e eles disseram que colocaram meu nome porque eles sabiam que eu pertencia ao partido. Quanto ao nome, a pessoa mais velha tinha preferência e eu era a mais velha.
Quando tudo parecia terminado, surge outra pendência. O partido havia negligenciado meu nome - esqueceram de registrar o mesmo via on-line um ano antes. Advogados me protegeram e só depois de quarenta dias pude de fato começar minha campanha.
Com tanto tempo de atraso, nada poderia sair errado - mas saiu : os santinhos não chegaram, os banners não tinham sido encomendados e tudo parecia contra mim. Cheguei a ´pensar em entrar na justiça por danos morais. Eu estava feliz e eles me tornaram infeliz. Eu queria apenas ser cidadã e agora vivia um pesadelo...
A partir do deferimento, comecei a correr contra o tempo para ver o que ainda dava para fazer para não cair naquilo que o próprio presidente do partido me pediu: basta que você vote em você mesma....